quarta-feira, 20 de junho de 2012

Me deito sem me preocupar em levantar,
Transbordo de vontade de viver uma vida...
Não a minha, pois ela é tão longa que me exaspera!
A parte boa é ínfima, e quando chega, o relógio...!
Faz as pazes comigo vida vazia?!
Mas prometa que irá enche-la com empatia,
Viver de joelhos me já me dói,
Olhares vazios me consomem...


domingo, 17 de junho de 2012

Enquanto eles se batem, se cospem, se lambuzam de cotidiano - eles, porque estão fora, distantes- e seus enclaves da superfície...
eu me desfaleço, pairo sobre meu próprio pensamento.
Tenho essa pressa de viver, como já dizia outro sanguinário passional por aí.
Minha alma, não pertence mais a minha tão buscada razão, ela se perde, sobre o meio fio de qualquer rua escura.
Meu amor, é a sonhada completude, e todavia, o fôlego morre. Minha vontade de ser cotidiano, em ti, não permite que eu viva em mim.
Assim, o avesso, o total, o atroz, perde-se na imensidão dos dias, e nessa confusão literária, absolutamente literária, meu corpo, nu... se fere, mais uma vez, e se queima de pecado e dor.
O que me cobre? O que eu faço? Banho-me em possibilidades. - E qual o seu querer?
...
Existo porque procuro. Perco a existência, porque não acho.
Persisto, talvez seja.






quarta-feira, 13 de junho de 2012

Porque quero igualdade, não como animais

É muito claro para mim, e para várias pessoas que fazem parte das minorias e/ou apenas concebem que elas existam, que incomodamos quando questionamos, ou apenas citamos a existência de um padrão de vida que beneficia alguns, e consequentemente, oprime alguns outros (muitos por sinal). Digo isto pois sou vegetariana, pelos direitos dos animais, pelo meio ambiente, não pela minha saúde (se vc achar que é mais nobre...), mas principalmente porque sou feminista. Tudo na natureza está ligado ao feminino, portanto a agressão ao meio ambiente e a mulher, que estão dentro da esfera do natural, são formas de dominação que  são justificadas pela  suposta passividade dest@s a opressão, são  irracionais e emotivas. Pressupõe-se que as mulheres nasceram para servir aos homens e os animais, aos seres humanos.
Todas as formas de opressão algum dia já foram justificadas menosprezando e desqualificando o outro (que está muito distante), mas principalmente engrandecendo um tipo de ser vivo,  racismo,  misoginia, lesbofobia, homofobia e tantos outros que infelizmente existem, mas também o especismo. Olha só, para você se dar bem neste mundo, é bem fácil, você tem que ser homem, branco, heterossexual, até aí se você for isto, já está muito bem, mas se você "pegar" várias garotas, fizer piadinha sobre qualquer uma das pessoas que não são igual a você, aí você pode dar glórias, você é realmente o BAM BAM BAM!
Já que masculinidade está ligada a força e ao poder, e a carne teoricamente proporciona estas, feminilidade está ligada a fragilidade, facilidade de dominação. Os homens são masculinos e exercem o patriarcado, logo a carne simboliza seu poder e sua dominação sobre @s outros que não são el@s. Em um churrasco, por exemplo, vários homens olhando para um pedaço de carne achando ela "apetitosa", o animal, que antes era, se tornou uma parte, uma carne, totalmente dissociado do que foi um dia, por isso o consumo de carne também está intimamente ligada a classes dominantes, majoritariamente de homens brancos. A mulher, como os animais, também é dissociada da sua totalidade, quando a mídia, a pornografia, etc, dizem "gostosa", ou se referem a partes do corpo da mulher, ela se torna um objeto a ser desejado e consumido, já não é mais um ser humano, não se sabe de onde ela é, como ela vive, se foi uma escolha, assim como os animais não são animais, pois perderam seus direitos. Objetifica-se, para legitimar a falta de direitos, o outro, que não é igual a mim, pois não se explora um igual.
Mulheres e animais, são biologicamente confinados a exercer papeis de objeto para o outro (homem), que impõe com agressão o que é melhor para el@s, e põe est@s em seu lugar, justificando a "força natural" do homem como um meio para lutar pela liberdade e ter uma vida pública, enquanto a "falta de força" da mulher, justifica seu confinamento no privado e sua abediência. O especismo, machismo e a heterosexualidade compulsória, são representações de uma dominação hegemônica, que tratam construções sociais como inquestionáveis e como naturais, ao não questionarmos, continuamos vivendo em uma supremacia masculina, que não busca um equilíbrio com o meio ambiente, que não aceita outro modelo de sexulidade a não ser a hetero.
Sou vegetariana pois não quero ser conivente com uma sociedade que depende de alguma opressão para ser "desenvolvida", disseram que este modelo  é o melhor, serio? o capitalismo patriarcal? para mim é que não é, talvez para os homens ali de cima, que acham que podem fazer piada com estupro, porque está tão distante de acontecer com eles, que nem concebem que possa ser uma realidade vivida cotidianamnete pelas mulheres, portanto sou vegetariana, me sinto ótima com isso, é uma opinião no mundo, não foi fácil me privar de uma coisa que fui criada para aceitar como natural, mas percebi que é muito fácil questionar o conveniente, questionar o que o outro faz, o difícil é se propor o questionamento. Este é o mundo que eu quero, portanto, parem o mercado que eu quero descer!