Acendo um cigarro e fumo, todo ele, na frente do espelho. E a medida em que recebo o estímulo do ato, meu corpo se movimenta como se fosse o último movimento involuntário a ser feito e percebido.
Ah, e vejo além de mim, além do espelho. E agora é minha alma que reflete naquele caos provocado pelo sentimento de encontro.
Fumo, fumo, e me enxergo, como ninguém mais vê. Recordo-me dos movimentos repentinos de outros seres. Todos antes mesmo de se olharem pelo vidro espelhado, já de antemão, refletem coisas. Todos, quaisquer, movimentos corporais dos que passam refletem alma, em corpo, e coisa.
O mundo é refletido nesse estar de instante no meu espelho, no meu reflexo, em meu cigarro que quase se esvai, assim como o vento que bate e volta em minhas costas nuas.
Estava em tudo, em todos, e absorta em minhas vísceras que pulsavam solicitando por mim.
Não era mais eu refletida no espelho... era tudo, eram todos, menos eu.
Toco em meu seio, nua. Passo a mão por entre os seios na tentativa de encostar-me à alma. Mas ela está refletida não ali, não mais. E sabe lá de onde se desdobra e levita o eu sem corpo meu.
É só o meu corpo sendo usado, pelas almas do mundo.
Dói-me ser alma dos outros, dói-me ser corpo só, e sozinho.
Dói-me o refletir, o reflexionar, o reflexo.
Falamos do submundo, que a cada dia só existe em nossa imaginação, afinal o que não vemos não existe. E a modernidade querendo representar na arte o real, tolheu suas possibilidades, então faremos uma antiarte!
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Sexo suas fronteiras, limites e (im)possibilidades
As fronteiras entre sexos são tão tênues e
artificiais como qualquer outra já criada pelo ser humano. Já que o poder hegemônico
precisa se auto afirmar através da coerção, da dominação, são criados pretextos
para legitimar tais atos, no caso do sexo não é diferente. A dominação é
exercida a partir da diferenciação de quem é dominado e o dominador, por
exemplo, o ser humano se transporta para fora da natureza, por ser um ser
racional, estando fora da natureza e sendo diferente dela, pode a controlar. Na
modernidade o homem precisa se afirmar como controlador da natureza selvagem, e
para isso modifica as paisagens de modo a transparecer tais ideais. A
sociedade ocidental se caracteriza por sua base patriarcal, sendo cissexista,
sexista, racista, homofóbica, tratando, sexo, gênero e desejo, como conceitos
que circundam os mesmo corpos de forma heteronormativa. O binarismo
homem/mulher tem implicações ideológicas marcantes na medida que o sexo,
diferenciado anatomicamente, cria fronteiras artificiais, pois homens e mulheres são tão diversos quanto seres humanos o são, nas sua diferenças físicas, biológicas, anatômicas.Este
binarismo é pretensioso ao querer encaixar tantas pessoas em dois pacotes de
diferença, pois não dá conta desta diversidade. Os papeis e aparências tidos
como masculinos e femininos na sociedade são construções sociais em seu todo,
mas que são tão naturalizadas, onde formas que fogem do normativo, foram marginalizadas, tornando a imaginação e criatividade, para se construir como sujeito, improváveis e impraticáveis sobre forma de preconceito e violência. No cotidiano, não ser rapidamente identificad@ como um@ ou outr@
causa confusão, desconforto em quem percebe o outro corpo, afinal esta
construção é importante para identificar os papeis sociais exercidos, por isso
as pessoas são criadas para transparecerem de forma melhor possível homem ou
mulher e serem facilmente identificados. Por exemplo, em um mutirão para
construir uma casa se reúnem várias pessoas para dividir tarefas de cooperação,
se as pessoas não forem identificadas rapidamente como mulher/homem, serão
causadas várias confusões, pois não são perguntad@s em que são b@ns, o que
gostam de fazer, talvez esta estas escolhas possam ser feitas depois de uma
divisão sexual, mas não antes disso, antes são divididas tarefas socialmente
atribuídas a homens e mulheres. Pode-se investigar então o porque desta
divisão, pois, as tarefas “femininas” na sociedade, são sempre menos
valorizadas, mais marginalizadas, tidas como mais fáceis, diante destas
diferenciações artificiais legitima-se a dominação sobre as mulheres, ou
dependendo da espacialidade, de gays, lésbicas e trans*, estes por não se
enquadrarem no padrão heteronormativo, onde performance de gênero se confunde
com desejo, com sexo. Quando se dificulta estas distribuições de
tarefas, dificulta-se também a dominação, e são criados focos de resistência mesmo que não seja a intenção.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Todas as pessoas que se preocupam, no fim conseguem passar maquiagem. Todas conseguem viver seu dia-a-dia, inclusive eu. Que não achava que conseguiria viver com o sofrimento, vivo tranquilamente, pois até o que senti um dia na carne viva, se tornou banal, cotidiano. Todo amor, dor, se tornaram tão sem valor quanto qualquer susto! Tormento que se torna ridículo, escrever, momento que não é possível descrever...
Consciência tão pesada por sentir na hora errada, não fazer justamente o que escolhi. Não dormir, esperar a solução, dormir querendo que tudo passe, acordar e viver tudo de mentira. Sonhar nunca mais, desejos inviáveis, vontades insaciáveis, loucuras impraticáveis. Acordar, perder a sensibilidade. Preguiça de pensar. Ser tosca por gostar.
Consciência tão pesada por sentir na hora errada, não fazer justamente o que escolhi. Não dormir, esperar a solução, dormir querendo que tudo passe, acordar e viver tudo de mentira. Sonhar nunca mais, desejos inviáveis, vontades insaciáveis, loucuras impraticáveis. Acordar, perder a sensibilidade. Preguiça de pensar. Ser tosca por gostar.
sábado, 3 de novembro de 2012
Leia os classicos
A dor de cumprir a burocracia, passar horas inquieta, estando onde não queria, ouvindo o que não gostaria, o pé que não controlo, batendo insistentemente no chão, implorando para ser usado para ir embora dali, mal sabe que minha mente já está longe faz tempo. A hipocrisia das horas burocráticas, infrutíferas, sem criatividade, amor, tesão. Cabeças baixas não querendo acreditar na cena que vêem, no lugar que estão, nada faz sentido nenhum, apenas olhar o relógio...Como praticar a guerrilha quando nem ao menos sonho de resistência há? Como se nem argumentos consistentes existem? Se estamos do lado inferiorizado, fragilizado, emburrecido, desqualificado. Por isso sempre temos que buscar mais e mais argumentos sem sentido, mas válidos, para mostrar o que está na cara, para provar o que salta aos olhos, pois nessas horas tudo se torna mito e teoria da conspiração. Visão simplista tosca! só para ir contra, e seguimos...
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Fiasco!
...Ouvindo o que ouvimos agora, não podemos deixar de enlouquecer,
ouvindo não, escutando, ou não. Tudo parece vazio e sem sentido,
todo conhecimento fajuto, não dizer o que quero dizer,
esperar eternamente que alguem diga algo e apenas precisar dizer:
Concordo!
O medo de ser quem sou, o medo de não compreender o que todos compreendem
Olhar diferente, entender diferente, viver diferente
Expressar o que não penso, parecer saber, me interessar,
medo das pessoas, medo de mim, medo de não viver intensamente.
ouvindo não, escutando, ou não. Tudo parece vazio e sem sentido,
todo conhecimento fajuto, não dizer o que quero dizer,
esperar eternamente que alguem diga algo e apenas precisar dizer:
Concordo!
O medo de ser quem sou, o medo de não compreender o que todos compreendem
Olhar diferente, entender diferente, viver diferente
Expressar o que não penso, parecer saber, me interessar,
medo das pessoas, medo de mim, medo de não viver intensamente.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
(...)
E quando olhei para frente, lá perto da curva, lá onde o
corpo se esvai...
Me vi, reta com os braços erguidos, mexendo as mãos
levemente, como se limpasse com algodão o céu.
E quando olhei para aquela que utilizava meus olhos, de modo
que o corpo encurvar-se-ia acompanhando a outra curva, a curva da estrada... percebi
que boa parte de mim vai embora. E chora.
Diariamente. (...)
domingo, 16 de setembro de 2012
Ângulo reto
Poeira vermelha subindo....serras cobertas por florestas, o sol que reflete nos rios brilhando e fechando os olhos não acreditando no que estou vendo. Este caminho não é novo, mas é como se se tornasse a cada chegada, é como cortinas que se abrem revelando o que nunca vi ou reparei. O chão de cascalho que me faz chacoalhar torna tudo mais real e perfeito, é o sinal de que não há mais concreto...Na beira da estrada os arbustos e as árvores todas empoeiradas lembram a quantos dias não recebem uma gota de chuva. É neste lugar que a rotina e o cotidiano se dissolvem, é onde a chuva não é conforto, é saber se vai ter colheita...é onde pelo menos olho para o céu sem pressa. Casas são vistas ao fundo, animais, plantações, lugar de muito trabalho, de gente alegre e sofrida.
O chão vermelho gruda na minha roupa, o verde aqui não precisa ser procurado nem dá pra ser contado. Os olhares são penetrantes, de quem tem muita história de vida, pele queimada de sol, rugas que correm pelo corpo.Quem tem outra ótica chega e toma conta de tudo, no fundo conhecem o segredo do que as pessoas querem. O que será?
O chão vermelho gruda na minha roupa, o verde aqui não precisa ser procurado nem dá pra ser contado. Os olhares são penetrantes, de quem tem muita história de vida, pele queimada de sol, rugas que correm pelo corpo.Quem tem outra ótica chega e toma conta de tudo, no fundo conhecem o segredo do que as pessoas querem. O que será?
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Lutas dignas...ou não
de sentimentos e de ego.
Mas sentimento neste lugar,
é a fome e preconceito
Estes sim transbordam diante
da subjetividade do irreal.
Aqui ninguém liga pra roupa,
nem pra classe social,
que é a mesma para todos.
A outra se existe agente não vê!
Pra gênero e raça agente liga,
pois se "pobres" somos tod@s,
seres humanos nem tanto...
Mulher negra, sem rosto,
Só mais uma diante da estatística.
Estas agente finge que não vê,
como trans*, gays, lésbicas,
est@s agente nem finge,
são os que escolheram sofrer,
porque se agente pudesse
escolher comer ou não...
Agente luta pelo que nos atinge,
e tudo bem julgar a luta d@ outr@,
Aqui @ outr@ é sempre ignorado.
O nosso é sempre mais digno,
Reclamamos de leis sobre nós,
e leiloamos @ outr@....
Afinal tudo é questão de escolha,
Uma luta exclui a outra!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Máscaras de viver
Me intriga em você suas certezas e incertezas,
elas para mim são inexatas, enigma como o fogo.
Seu sorriso de quem conhece o mundo,
que pensa mil coisas ao mesmo tempo.
Sua seriedade e indiferença,
percepção e sensibilidade...
Naturalidade de viver a margem,
e perceber o horizonte de possibilidades por detrás.
A companhia que espera a muito alguém deseperad@,
para causar transtorno na sociedade do espetáculo!
Desnortear os Boulevards, jogar pedra nos postes que vigiam.
Mostrar que resistência nunca será algo para tirar proveito,
Como se não fosse algo que surge espontâneamente.
Cada um subverte sozinh@ ao seu modo,
Mas é bom encontrar um lugar de pouso por enquanto .
elas para mim são inexatas, enigma como o fogo.
Seu sorriso de quem conhece o mundo,
que pensa mil coisas ao mesmo tempo.
Sua seriedade e indiferença,
percepção e sensibilidade...
Naturalidade de viver a margem,
e perceber o horizonte de possibilidades por detrás.
A companhia que espera a muito alguém deseperad@,
para causar transtorno na sociedade do espetáculo!
Desnortear os Boulevards, jogar pedra nos postes que vigiam.
Mostrar que resistência nunca será algo para tirar proveito,
Como se não fosse algo que surge espontâneamente.
Cada um subverte sozinh@ ao seu modo,
Mas é bom encontrar um lugar de pouso por enquanto .
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Cada uma colhe o que Planta?!
Não acha doentio,
falar que a vida não é mesmo justa,
E mesmo diante de tanto sofrimento,
Julgar todos os males sofridos por questão de merecimento?!
A autopiedade tem limite...ou não.
Medir o sofrimeto dos outros pelo seu,
pois já não basta ele?
A felicidade então é uma questão de mérito!
Ah...para merecer certas coisas,
você deve ter passado por tantas outras...
Como medir o sofrimento e injustiça?!
para você é fácil calcular..
5 anos passando fome,
10 anos como secretarix e operárix,
1000 casos de racismo e sexismo,
Uma pitada de desumanidade,
1 gravidez indesejada,
Nenhum aborto.
A receita da pessoa que merece sua vida.
falar que a vida não é mesmo justa,
E mesmo diante de tanto sofrimento,
A autopiedade tem limite...ou não.
Medir o sofrimeto dos outros pelo seu,
pois já não basta ele?
A felicidade então é uma questão de mérito!
Ah...para merecer certas coisas,
você deve ter passado por tantas outras...
Como medir o sofrimento e injustiça?!
para você é fácil calcular..
5 anos passando fome,
10 anos como secretarix e operárix,
1000 casos de racismo e sexismo,
Uma pitada de desumanidade,
1 gravidez indesejada,
Nenhum aborto.
A receita da pessoa que merece sua vida.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Resistência silenciosa
A cidade anda calada, muda...
Mas é como se algo vedasse sua boca.
É como se apesar de debilitada
Teimasse em continuar vivendo,
num cativeiro sombrio...
Suas veias já não pulsam o sangue,
ele não flui como antigamente.
Seu corpo foi maltratado,
com diagnósticos sem sentido,
num jogo de tentativa e erro.
Ela já não é mais para as pessoas,
que tem seu corpo como dono
o Estado, a diplomacia!
Realmente é bizarro como o podre,
pode ser por fora tão belo.
sábado, 18 de agosto de 2012
Um diazim, e mais outro diazim...
Ela é Vira Lata.
Sai a vagar pelos caminhos desconhecidos da velha e boçal cidade.
E nesse tácito viver noturno, não quer parar em lugar algum. Não tem destino.
O coração dela responde ao estímulo da consciência. Ela é inquieta, demasiadamente. Sabe o que não quer, porém nem imagina o que quer. Apenas sabe o que não quer. Não a façam querer!
Depois de ter conhecido a força do corpo, a potência das sensações, sentiu que a vida é sangue. Sangue quente, que corre, que se perde pelas veias do corpo, feito rio que corre entre as margens. À margem. É assim que ela vive. Mas não padece, não quieta. Espera, mesmo que o punho das mãos peçam, clamam, desesperados por uma solução inconsequente e inesperada.
Ela encontra todos nas ruas, os desesperados, afoitos... na mesma rua em que percebe não haver ninguém. Há apenas a vontade de ser algo, percebível.
Ela não quer voltar... é Vira lata, não tem lar. Apenas concentra todas as energias dos desajeitados em seu corpo: corpo sangue, corpo veia.
Ela está pronta para amar entre eles. Preparada está, todavia para quê ter medo? É vira Lata.
Os outros que não estão preparados, pois possuem medos maiores. Porque estão presos, enjaulados, bebem o escrúpulo que se mistura com o único raio solar que atinge a prisão, pela frecha. Dá-se a luz... efêmera luz.
E nesse descompasso da vida, ela, sem raça, sem dono, Vira Lata então, como todas as noites, lembra-se que existe um lar. Que a cabe.
Seguro, porque é conhecido. Quente, porque é vivo. Afável porque tem espaço. Acolhedor, porque é íntimo. Forte, livre, fantástico, porque é amor.
A mente, o fechar dos olhos. Esse é o lar da Vira Lata: a lembrança.
Lembrança é casa.
domingo, 12 de agosto de 2012
Viver o mundo ou ser o mundo?
A fumaça que sai do meu café, confunde-se com a que sai da minha boca, nesse cômodo da casa que me apropriei.
Apropriei-me da manhã, do café, do cigarro... na tentativa de apropriar-me dos meus pensamentos. E por um segundo, um segundo sequer, o mundo foi meu. Eu era o mundo, o meu era eu. Eu era grande, era pequena, do tamanho da gota de café que, acidentalmente, caiu no lençol, que também era meu.
Deixo de ser mundo e volto pro mundo.
Nem sempre é possível ser mundo, ele é vasto, ele é dinamicamente exato. E eu? Eu o vejo... vejo-o passar.
Sabe o que é ver o mundo passar? Todos passarem? É também viver...
Ver a fumaça do cigarro confundir-se com a desesperada fumaça que sai da minha boca, é sim, viver o mundo que passa.
Daniela Carvalho.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Desconexa da realidade
Vecê fala baby, do alto de seus privilégios,
Que gostaria que sentissemos atração por você,
Como sentem pelas mulheres
Diante da sua posição me diga:
Também gostaria de ser criado para temer?
Para se defender e nunca confiar em ninguém?
Não andar a noite sozinho, e tomar cuidado
com as roupas que usa...
Me diga se gostaria que sua aparência fosse o mais importante.
Você diz que não posso mudar o mundo e que sou paranóica,
Nunca ninguém me disse isso, fiquei comovida.
Eu posso mudar meu mundo!
Idiotas como você não estão nele.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Me deito sem me preocupar em levantar,
Transbordo de vontade de viver uma vida...
Não a minha, pois ela é tão longa que me exaspera!
A parte boa é ínfima, e quando chega, o relógio...!
Faz as pazes comigo vida vazia?!
Mas prometa que irá enche-la com empatia,
Viver de joelhos me já me dói,
Olhares vazios me consomem...
domingo, 17 de junho de 2012
Enquanto eles se batem, se cospem, se lambuzam de cotidiano - eles, porque estão fora, distantes- e seus enclaves da superfície...
eu me desfaleço, pairo sobre meu próprio pensamento.
Tenho essa pressa de viver, como já dizia outro sanguinário passional por aí.
Minha alma, não pertence mais a minha tão buscada razão, ela se perde, sobre o meio fio de qualquer rua escura.
Meu amor, é a sonhada completude, e todavia, o fôlego morre. Minha vontade de ser cotidiano, em ti, não permite que eu viva em mim.
Assim, o avesso, o total, o atroz, perde-se na imensidão dos dias, e nessa confusão literária, absolutamente literária, meu corpo, nu... se fere, mais uma vez, e se queima de pecado e dor.
O que me cobre? O que eu faço? Banho-me em possibilidades. - E qual o seu querer?
...
Existo porque procuro. Perco a existência, porque não acho.
Persisto, talvez seja.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Porque quero igualdade, não como animais
É muito claro para mim, e para várias pessoas que fazem parte das minorias e/ou apenas concebem que elas existam, que incomodamos quando questionamos, ou apenas citamos a existência de um padrão de vida que beneficia alguns, e consequentemente, oprime alguns outros (muitos por sinal). Digo isto pois sou vegetariana, pelos direitos dos animais, pelo meio ambiente, não pela minha saúde (se vc achar que é mais nobre...), mas principalmente porque sou feminista. Tudo na natureza está ligado ao feminino, portanto a agressão ao meio ambiente e a mulher, que estão dentro da esfera do natural, são formas de dominação que são justificadas pela suposta passividade dest@s a opressão, são irracionais e emotivas. Pressupõe-se que as mulheres nasceram para servir aos homens e os animais, aos seres humanos.
Todas as formas de opressão algum dia já foram justificadas menosprezando e desqualificando o outro (que está muito distante), mas principalmente engrandecendo um tipo de ser vivo, racismo, misoginia, lesbofobia, homofobia e tantos outros que infelizmente existem, mas também o especismo. Olha só, para você se dar bem neste mundo, é bem fácil, você tem que ser homem, branco, heterossexual, até aí se você for isto, já está muito bem, mas se você "pegar" várias garotas, fizer piadinha sobre qualquer uma das pessoas que não são igual a você, aí você pode dar glórias, você é realmente o BAM BAM BAM!
Já que masculinidade está ligada a força e ao poder, e a carne teoricamente proporciona estas, feminilidade está ligada a fragilidade, facilidade de dominação. Os homens são masculinos e exercem o patriarcado, logo a carne simboliza seu poder e sua dominação sobre @s outros que não são el@s. Em um churrasco, por exemplo, vários homens olhando para um pedaço de carne achando ela "apetitosa", o animal, que antes era, se tornou uma parte, uma carne, totalmente dissociado do que foi um dia, por isso o consumo de carne também está intimamente ligada a classes dominantes, majoritariamente de homens brancos. A mulher, como os animais, também é dissociada da sua totalidade, quando a mídia, a pornografia, etc, dizem "gostosa", ou se referem a partes do corpo da mulher, ela se torna um objeto a ser desejado e consumido, já não é mais um ser humano, não se sabe de onde ela é, como ela vive, se foi uma escolha, assim como os animais não são animais, pois perderam seus direitos. Objetifica-se, para legitimar a falta de direitos, o outro, que não é igual a mim, pois não se explora um igual.
Mulheres e animais, são biologicamente confinados a exercer papeis de objeto para o outro (homem), que impõe com agressão o que é melhor para el@s, e põe est@s em seu lugar, justificando a "força natural" do homem como um meio para lutar pela liberdade e ter uma vida pública, enquanto a "falta de força" da mulher, justifica seu confinamento no privado e sua abediência. O especismo, machismo e a heterosexualidade compulsória, são representações de uma dominação hegemônica, que tratam construções sociais como inquestionáveis e como naturais, ao não questionarmos, continuamos vivendo em uma supremacia masculina, que não busca um equilíbrio com o meio ambiente, que não aceita outro modelo de sexulidade a não ser a hetero.
Sou vegetariana pois não quero ser conivente com uma sociedade que depende de alguma opressão para ser "desenvolvida", disseram que este modelo é o melhor, serio? o capitalismo patriarcal? para mim é que não é, talvez para os homens ali de cima, que acham que podem fazer piada com estupro, porque está tão distante de acontecer com eles, que nem concebem que possa ser uma realidade vivida cotidianamnete pelas mulheres, portanto sou vegetariana, me sinto ótima com isso, é uma opinião no mundo, não foi fácil me privar de uma coisa que fui criada para aceitar como natural, mas percebi que é muito fácil questionar o conveniente, questionar o que o outro faz, o difícil é se propor o questionamento. Este é o mundo que eu quero, portanto, parem o mercado que eu quero descer!
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