sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cada uma colhe o que Planta?!

Não acha doentio,
falar que a vida não é mesmo justa,
E mesmo diante de tanto sofrimento,
Julgar todos os males sofridos por questão de merecimento?!
A autopiedade tem limite...ou não.
Medir o sofrimeto dos outros pelo seu,
pois já não basta ele?
A felicidade então é uma questão de mérito!
Ah...para merecer certas coisas,
você deve ter passado por tantas outras...
Como medir o sofrimento e injustiça?!
para você é fácil calcular..
5 anos passando fome,
10 anos como secretarix e operárix,
1000 casos de racismo e sexismo,
Uma pitada de desumanidade,
1 gravidez indesejada,
Nenhum aborto.
A receita da pessoa que merece sua vida.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Resistência silenciosa






A cidade anda calada, muda...
Mas é como se algo vedasse sua boca.
É como se apesar de debilitada
Teimasse em continuar vivendo,
num cativeiro sombrio...
Suas veias já não pulsam o sangue,
ele não flui como antigamente.
Seu corpo foi maltratado,
com diagnósticos sem sentido,
num jogo de tentativa e erro.
Ela já não é mais para as pessoas,
nem com elas... 

É como uma rainha, 
que tem seu corpo como dono
o Estado, a diplomacia!
Realmente é bizarro como o podre,
pode ser por fora tão belo.

sábado, 18 de agosto de 2012

Um diazim, e mais outro diazim...



Ela é Vira Lata.
Sai a vagar pelos caminhos desconhecidos da velha e boçal cidade.
E nesse tácito viver noturno, não quer parar em lugar algum.  Não tem destino.
O coração dela responde ao estímulo da consciência. Ela é inquieta, demasiadamente. Sabe o que não quer, porém nem imagina o que quer. Apenas sabe o que não quer. Não a façam querer!
Depois de ter conhecido a força do corpo, a potência das sensações, sentiu que a vida é sangue. Sangue quente, que corre, que se perde pelas veias do corpo, feito rio que corre entre as margens. À margem. É assim que ela vive. Mas não padece, não quieta. Espera, mesmo que o punho das mãos peçam, clamam, desesperados por uma solução inconsequente e inesperada.
Ela encontra todos nas ruas, os desesperados, afoitos... na mesma rua em que percebe não haver ninguém. Há apenas a vontade de ser algo, percebível.
Ela não quer voltar... é Vira lata, não tem lar. Apenas concentra todas as energias dos desajeitados em seu corpo: corpo sangue, corpo veia.
Ela está pronta para amar entre eles. Preparada está, todavia para quê ter medo? É vira Lata.
Os outros que não estão preparados, pois possuem medos maiores. Porque estão presos, enjaulados, bebem o escrúpulo que se mistura com o único raio solar que atinge a prisão, pela frecha. Dá-se a luz... efêmera luz.
E nesse descompasso da vida, ela, sem raça, sem dono, Vira Lata então, como todas as noites, lembra-se que existe um lar. Que a cabe.
Seguro, porque é conhecido. Quente, porque é vivo. Afável porque tem espaço. Acolhedor, porque é íntimo. Forte, livre, fantástico, porque é amor.
A mente, o fechar dos olhos. Esse é o lar da Vira Lata: a lembrança.
Lembrança é casa.

domingo, 12 de agosto de 2012

Viver o mundo ou ser o mundo?



A fumaça que sai do meu café, confunde-se com a que sai da minha boca, nesse cômodo da casa que me apropriei.
Apropriei-me da manhã, do café, do cigarro... na tentativa de apropriar-me dos meus pensamentos. E por um segundo, um segundo sequer, o mundo foi meu. Eu era o mundo, o meu era eu. Eu era grande, era pequena, do tamanho da gota de café que, acidentalmente, caiu no lençol, que também era meu.
Deixo de ser mundo e volto pro mundo.
Nem sempre é possível ser mundo, ele é vasto, ele é dinamicamente exato. E eu? Eu o vejo... vejo-o passar.
Sabe o que é ver o mundo passar? Todos passarem? É também viver...
Ver a fumaça do cigarro confundir-se com a desesperada fumaça que sai da minha boca, é sim, viver o mundo que passa.

Daniela Carvalho.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Desconexa da realidade

Vecê fala baby, do alto de seus privilégios,
Que gostaria que sentissemos atração por você,
Como sentem pelas mulheres
Diante da sua posição me diga:
Também gostaria de ser criado para temer?
Para se defender e nunca confiar em ninguém?
Não andar a noite sozinho, e tomar cuidado 
com as roupas que usa...
Me diga se gostaria que sua aparência fosse o mais importante.
Você diz que não posso mudar o mundo e que sou paranóica,
Nunca ninguém me disse isso, fiquei comovida.
Eu posso mudar meu mundo!
Idiotas como você não estão nele.