quarta-feira, 19 de setembro de 2012


(...)

E quando olhei para frente, lá perto da curva, lá onde o corpo se esvai...

Me vi, reta com os braços erguidos, mexendo as mãos levemente, como se limpasse com algodão o céu.

E quando olhei para aquela que utilizava meus olhos, de modo que o corpo encurvar-se-ia acompanhando a outra curva, a curva da estrada... percebi que boa parte de mim vai embora. E chora.

Diariamente.  (...)

domingo, 16 de setembro de 2012

Ângulo reto

Poeira vermelha subindo....serras cobertas por florestas, o sol que reflete nos rios brilhando e fechando os olhos não acreditando no que estou vendo. Este caminho não é novo, mas é como se se tornasse a cada chegada, é como cortinas que se abrem revelando o que nunca vi ou reparei. O chão de cascalho que me faz chacoalhar torna tudo mais real e perfeito, é o sinal de que não há mais concreto...Na beira da estrada os arbustos e as árvores todas empoeiradas lembram a quantos dias não recebem uma gota de chuva. É neste lugar que a rotina e o cotidiano se dissolvem, é onde a chuva não é conforto, é saber se vai ter colheita...é onde pelo menos olho para o céu sem pressa. Casas são vistas ao fundo, animais, plantações, lugar de muito trabalho, de gente alegre e sofrida.
O chão vermelho gruda na minha roupa, o verde aqui não precisa ser procurado nem dá pra ser contado. Os olhares são penetrantes,  de quem tem muita história de vida, pele queimada de sol, rugas que correm pelo corpo.Quem tem outra ótica chega e toma conta de tudo, no fundo conhecem o segredo do que as pessoas querem. O que será?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lutas dignas...ou não

Soube que aqui não pode-se falar,
de sentimentos e de ego.
Mas sentimento neste lugar,
 é a fome e preconceito
Estes sim transbordam diante
 da subjetividade do irreal.
Aqui ninguém liga pra roupa,
nem pra classe social,
que é a mesma para todos.
A outra se existe agente não vê!
Pra gênero e raça agente liga,
pois se "pobres" somos tod@s,
seres humanos nem tanto...
Mulher negra, sem rosto,
sem história de vida.
Só mais uma diante da estatística.
Estas agente finge que não vê,
como trans*, gays, lésbicas,
est@s agente nem finge,
são os que escolheram sofrer,
porque se agente pudesse
 escolher comer ou não...
Agente luta pelo que nos atinge,
e tudo bem julgar a luta d@ outr@,
Aqui @ outr@ é sempre ignorado.
O nosso é sempre mais digno,
Reclamamos de leis sobre nós,
e leiloamos @ outr@....
Afinal tudo é questão de escolha,
Uma luta exclui a outra! 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Máscaras de viver

Me intriga em você suas certezas e incertezas,
 elas para mim são inexatas, enigma como o fogo.
Seu sorriso de quem conhece o mundo,
que pensa mil coisas ao mesmo tempo.
Sua seriedade e indiferença,
percepção e sensibilidade...
Naturalidade de viver a margem,
e perceber o horizonte de possibilidades por detrás.
A companhia que espera a muito alguém deseperad@,
para causar transtorno na sociedade do espetáculo!
Desnortear os Boulevards, jogar pedra nos postes que vigiam.
Mostrar que resistência nunca será algo para tirar proveito,
Como se não fosse algo que surge espontâneamente.
Cada um subverte sozinh@ ao seu modo,
Mas é bom encontrar um lugar de pouso por enquanto .