sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Acendo um cigarro e fumo, todo ele, na frente do espelho. E a medida em que recebo o estímulo do ato, meu corpo se movimenta como se fosse o último movimento involuntário a ser feito e percebido.
Ah, e vejo além de mim, além do espelho. E agora é minha alma que reflete naquele caos provocado pelo sentimento de encontro.
Fumo, fumo, e me enxergo, como ninguém mais vê. Recordo-me dos movimentos repentinos de outros seres. Todos antes mesmo de se olharem pelo vidro espelhado, já de antemão, refletem coisas. Todos, quaisquer, movimentos corporais dos que passam refletem alma, em corpo, e coisa.
O mundo é refletido nesse estar de instante no meu espelho, no meu reflexo, em meu cigarro que quase se esvai, assim como o vento que bate e volta em minhas costas nuas.
Estava em tudo, em todos, e absorta em minhas vísceras que pulsavam solicitando por mim.
Não era mais eu refletida no espelho... era tudo, eram todos, menos eu.
Toco em meu seio, nua. Passo a mão por entre os seios na tentativa de encostar-me à alma. Mas ela está refletida não ali, não mais. E sabe lá de onde se desdobra e levita o eu sem corpo meu.
É só o meu corpo sendo usado, pelas almas do mundo.
Dói-me ser alma dos outros, dói-me ser corpo só, e sozinho.
Dói-me o refletir, o reflexionar, o reflexo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sexo suas fronteiras, limites e (im)possibilidades

As fronteiras entre sexos são tão tênues e artificiais como qualquer outra já criada pelo ser humano. Já que o poder hegemônico precisa se auto afirmar através da coerção, da dominação, são criados pretextos para legitimar tais atos, no caso do sexo não é diferente. A dominação é exercida a partir da diferenciação de quem é dominado e o dominador, por exemplo, o ser humano se transporta para fora da natureza, por ser um ser racional, estando fora da natureza e sendo diferente dela, pode a controlar. Na modernidade o homem precisa se afirmar como controlador da natureza selvagem, e para isso modifica as paisagens de modo a transparecer tais ideais. A sociedade ocidental se caracteriza por sua base patriarcal, sendo cissexista, sexista, racista, homofóbica, tratando, sexo, gênero e desejo, como conceitos que circundam os mesmo corpos de forma heteronormativa. O binarismo homem/mulher tem implicações ideológicas marcantes na medida que o sexo, diferenciado anatomicamente, cria fronteiras artificiais, pois homens e mulheres são tão diversos quanto seres humanos o são, nas sua diferenças físicas, biológicas, anatômicas.Este binarismo é pretensioso ao querer encaixar tantas pessoas em dois pacotes de diferença, pois não dá conta desta diversidade. Os papeis e aparências tidos como masculinos e femininos na sociedade são construções sociais em seu todo, mas que são tão naturalizadas, onde formas que fogem do normativo, foram marginalizadas, tornando a imaginação e criatividade, para se construir como sujeito, improváveis e impraticáveis sobre forma de preconceito e violência. No cotidiano, não ser rapidamente identificad@ como um@ ou outr@ causa confusão, desconforto em quem percebe o outro corpo, afinal esta construção é importante para identificar os papeis sociais exercidos, por isso as pessoas são criadas para transparecerem de forma melhor possível homem ou mulher e serem facilmente identificados. Por exemplo, em um mutirão para construir uma casa se reúnem várias pessoas para dividir tarefas de cooperação, se as pessoas não forem identificadas rapidamente como mulher/homem, serão causadas várias confusões, pois não são perguntad@s em que são b@ns, o que gostam de fazer, talvez esta estas escolhas possam ser feitas depois de uma divisão sexual, mas não antes disso, antes são divididas tarefas socialmente atribuídas a homens e mulheres. Pode-se investigar então o porque desta divisão, pois, as tarefas “femininas” na sociedade, são sempre menos valorizadas, mais marginalizadas, tidas como mais fáceis, diante destas diferenciações artificiais legitima-se a dominação sobre as mulheres, ou dependendo da espacialidade, de gays, lésbicas e trans*, estes por não se enquadrarem no padrão heteronormativo, onde performance de gênero se confunde com desejo, com sexo. Quando se dificulta estas distribuições de tarefas, dificulta-se também a dominação, e são criados focos de resistência  mesmo que não seja a intenção.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Todas as pessoas que se preocupam, no fim conseguem passar maquiagem. Todas conseguem viver seu dia-a-dia, inclusive eu. Que não achava que conseguiria viver com o sofrimento, vivo tranquilamente, pois até o que senti um dia na carne viva, se tornou banal, cotidiano. Todo amor, dor, se tornaram tão sem valor quanto qualquer susto! Tormento que se torna ridículo, escrever, momento que não é possível descrever...
Consciência tão pesada por sentir na hora errada, não fazer justamente o que escolhi. Não dormir, esperar a solução, dormir querendo que tudo passe, acordar e viver tudo de mentira. Sonhar nunca mais, desejos inviáveis, vontades insaciáveis, loucuras impraticáveis. Acordar, perder a sensibilidade. Preguiça de pensar. Ser tosca por gostar.

sábado, 3 de novembro de 2012

Leia os classicos

A dor de cumprir a burocracia, passar horas inquieta, estando onde não queria, ouvindo o que não gostaria, o pé que não controlo, batendo insistentemente no chão, implorando para ser usado para ir embora dali, mal sabe que minha mente já está longe faz tempo. A hipocrisia das horas burocráticas, infrutíferas, sem criatividade, amor, tesão. Cabeças baixas não querendo acreditar  na cena que vêem, no lugar que estão, nada faz sentido nenhum, apenas olhar o relógio...Como praticar a guerrilha quando nem ao menos sonho de resistência há? Como se nem argumentos consistentes existem? Se estamos do lado inferiorizado, fragilizado, emburrecido, desqualificado. Por isso sempre temos que buscar mais e mais argumentos sem sentido, mas válidos, para mostrar o que está na cara, para provar o que salta aos olhos, pois nessas horas tudo se torna mito e teoria da conspiração. Visão simplista tosca! só para ir contra, e seguimos...