sábado, 18 de agosto de 2012

Um diazim, e mais outro diazim...



Ela é Vira Lata.
Sai a vagar pelos caminhos desconhecidos da velha e boçal cidade.
E nesse tácito viver noturno, não quer parar em lugar algum.  Não tem destino.
O coração dela responde ao estímulo da consciência. Ela é inquieta, demasiadamente. Sabe o que não quer, porém nem imagina o que quer. Apenas sabe o que não quer. Não a façam querer!
Depois de ter conhecido a força do corpo, a potência das sensações, sentiu que a vida é sangue. Sangue quente, que corre, que se perde pelas veias do corpo, feito rio que corre entre as margens. À margem. É assim que ela vive. Mas não padece, não quieta. Espera, mesmo que o punho das mãos peçam, clamam, desesperados por uma solução inconsequente e inesperada.
Ela encontra todos nas ruas, os desesperados, afoitos... na mesma rua em que percebe não haver ninguém. Há apenas a vontade de ser algo, percebível.
Ela não quer voltar... é Vira lata, não tem lar. Apenas concentra todas as energias dos desajeitados em seu corpo: corpo sangue, corpo veia.
Ela está pronta para amar entre eles. Preparada está, todavia para quê ter medo? É vira Lata.
Os outros que não estão preparados, pois possuem medos maiores. Porque estão presos, enjaulados, bebem o escrúpulo que se mistura com o único raio solar que atinge a prisão, pela frecha. Dá-se a luz... efêmera luz.
E nesse descompasso da vida, ela, sem raça, sem dono, Vira Lata então, como todas as noites, lembra-se que existe um lar. Que a cabe.
Seguro, porque é conhecido. Quente, porque é vivo. Afável porque tem espaço. Acolhedor, porque é íntimo. Forte, livre, fantástico, porque é amor.
A mente, o fechar dos olhos. Esse é o lar da Vira Lata: a lembrança.
Lembrança é casa.

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