quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sexo suas fronteiras, limites e (im)possibilidades

As fronteiras entre sexos são tão tênues e artificiais como qualquer outra já criada pelo ser humano. Já que o poder hegemônico precisa se auto afirmar através da coerção, da dominação, são criados pretextos para legitimar tais atos, no caso do sexo não é diferente. A dominação é exercida a partir da diferenciação de quem é dominado e o dominador, por exemplo, o ser humano se transporta para fora da natureza, por ser um ser racional, estando fora da natureza e sendo diferente dela, pode a controlar. Na modernidade o homem precisa se afirmar como controlador da natureza selvagem, e para isso modifica as paisagens de modo a transparecer tais ideais. A sociedade ocidental se caracteriza por sua base patriarcal, sendo cissexista, sexista, racista, homofóbica, tratando, sexo, gênero e desejo, como conceitos que circundam os mesmo corpos de forma heteronormativa. O binarismo homem/mulher tem implicações ideológicas marcantes na medida que o sexo, diferenciado anatomicamente, cria fronteiras artificiais, pois homens e mulheres são tão diversos quanto seres humanos o são, nas sua diferenças físicas, biológicas, anatômicas.Este binarismo é pretensioso ao querer encaixar tantas pessoas em dois pacotes de diferença, pois não dá conta desta diversidade. Os papeis e aparências tidos como masculinos e femininos na sociedade são construções sociais em seu todo, mas que são tão naturalizadas, onde formas que fogem do normativo, foram marginalizadas, tornando a imaginação e criatividade, para se construir como sujeito, improváveis e impraticáveis sobre forma de preconceito e violência. No cotidiano, não ser rapidamente identificad@ como um@ ou outr@ causa confusão, desconforto em quem percebe o outro corpo, afinal esta construção é importante para identificar os papeis sociais exercidos, por isso as pessoas são criadas para transparecerem de forma melhor possível homem ou mulher e serem facilmente identificados. Por exemplo, em um mutirão para construir uma casa se reúnem várias pessoas para dividir tarefas de cooperação, se as pessoas não forem identificadas rapidamente como mulher/homem, serão causadas várias confusões, pois não são perguntad@s em que são b@ns, o que gostam de fazer, talvez esta estas escolhas possam ser feitas depois de uma divisão sexual, mas não antes disso, antes são divididas tarefas socialmente atribuídas a homens e mulheres. Pode-se investigar então o porque desta divisão, pois, as tarefas “femininas” na sociedade, são sempre menos valorizadas, mais marginalizadas, tidas como mais fáceis, diante destas diferenciações artificiais legitima-se a dominação sobre as mulheres, ou dependendo da espacialidade, de gays, lésbicas e trans*, estes por não se enquadrarem no padrão heteronormativo, onde performance de gênero se confunde com desejo, com sexo. Quando se dificulta estas distribuições de tarefas, dificulta-se também a dominação, e são criados focos de resistência  mesmo que não seja a intenção.

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