domingo, 12 de agosto de 2012

Viver o mundo ou ser o mundo?



A fumaça que sai do meu café, confunde-se com a que sai da minha boca, nesse cômodo da casa que me apropriei.
Apropriei-me da manhã, do café, do cigarro... na tentativa de apropriar-me dos meus pensamentos. E por um segundo, um segundo sequer, o mundo foi meu. Eu era o mundo, o meu era eu. Eu era grande, era pequena, do tamanho da gota de café que, acidentalmente, caiu no lençol, que também era meu.
Deixo de ser mundo e volto pro mundo.
Nem sempre é possível ser mundo, ele é vasto, ele é dinamicamente exato. E eu? Eu o vejo... vejo-o passar.
Sabe o que é ver o mundo passar? Todos passarem? É também viver...
Ver a fumaça do cigarro confundir-se com a desesperada fumaça que sai da minha boca, é sim, viver o mundo que passa.

Daniela Carvalho.

Um comentário:

  1. O mundo parece pequeno diante de todas as coisas que queremos viver mas não conseguimos, para viver tudo teriámos mesmo que ser ele, e não um nada dentro dele. Coisas que vivemos não são perda de tempo, sofrimento não é perda de tempo...é uma parte do mundo apenas, diante da vastidão de sentimentos já vividos e que ainda serão vividos...de qualquer jeito o mundo sempre passará, nossas inquietações nunca passarão, tudo sempre será novo ou um dejávu, vamos apenas viver? viver talvez, o irreal, o desapego? o sofrimento? a alegria quem sabe...o desconhecido amor, que nos consome, mas não sejamos ingenuas, também nos nutre!

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